Da arbitragem à academia: experiências que ampliam a atuação na preparação esportiva

Por: Ana Paola
“A vivência em diferentes áreas do esporte contribui para uma abordagem mais ampla sobre desempenho, treinamento e desenvolvimento de atletas.”
A preparação de um atleta envolve muito mais do que a elaboração de uma rotina de exercícios. O processo exige conhecimento de fisiologia, biomecânica, periodização do treinamento, composição corporal, apresentação competitiva e dos critérios técnicos utilizados no julgamento dos atletas.
Poucos profissionais reúnem experiências tão distintas quanto Douglas Mira Correa.Ao longo de sua trajetória, Douglas passou a atuar em diferentes áreas do esporte. Além de profissional de Educação Física e atleta de fisiculturismo, ele também desenvolveu trabalhos como coach de atletas, tornou-se árbitro certificado e foi convidado para atuar como avaliador acadêmico externo na Universidade Cidade de São Paulo, a UNICID.
Segundo Douglas, essas experiências proporcionam perspectivas diferentes, mas complementares, sobre o treinamento e o desempenho esportivo.
“Como treinador, preciso analisar o atleta de maneira individual, identificar seus pontos fortes, reconhecer o que precisa ser desenvolvido e organizar cada etapa da preparação. Como árbitro, o olhar precisa ser técnico, objetivo e imparcial. No ambiente acadêmico, a análise está voltada para a fundamentação científica e para a capacidade de transformar conhecimento em aplicação prática.”
Na atuação como coach, Douglas acompanha o desenvolvimento físico e técnico dos atletas, organiza as diferentes etapas da preparação e realiza ajustes de acordo com a evolução individual de cada competidor.
Para ele, uma preparação competitiva eficiente depende de planejamento, acompanhamento constante e capacidade de realizar ajustes ao longo do processo.
“O corpo não responde de maneira linear. Mesmo quando existe um planejamento bem estruturado, é necessário observar a evolução do atleta, avaliar sua recuperação e modificar o treinamento quando necessário.”
Douglas explica que o treinador também precisa considerar fatores como experiência anterior, limitações individuais, rotina profissional, alimentação, qualidade do sono e capacidade de recuperação. Por isso, dois atletas da mesma categoria não devem necessariamente seguir o mesmo programa de treinamento.
“O que funciona para um atleta pode não produzir o mesmo resultado em outro. O trabalho do coach é compreender essas diferenças e organizar os estímulos de acordo com a resposta de cada pessoa.”
Sua experiência como atleta também influencia diretamente essa atuação. Douglas é campeão brasileiro de musculação na categoria Bodybuilder acima de 95 quilos e acumula mais de 25 troféus em competições regionais, estaduais, nacionais e internacionais.
Ter vivenciado os bastidores das competições permite que ele compreenda não apenas as exigências físicas, mas também os desafios emocionais e técnicos enfrentados pelos atletas – “Quem sobe ao palco precisa apresentar o resultado de meses de trabalho em poucos minutos”
Em junho de 2025, Douglas recebeu sua certificação como árbitro pela Federação NFP. Apenas 42 dias depois, foi convocado para integrar a mesa oficial de arbitragem do Kalil Classic, realizado em Aparecida do Norte, no estado de São Paulo.
Durante uma competição de fisiculturismo, o julgamento não se limita ao volume muscular. Os árbitros analisam um conjunto de critérios, entre eles simetria, proporção corporal, definição muscular, condicionamento físico, equilíbrio entre os grupos musculares e qualidade da apresentação.
“Para o público, dois atletas podem parecer muito semelhantes. O árbitro, porém, observa detalhes que fazem diferença no resultado, como harmonia corporal, equilíbrio muscular e execução das poses.”
Douglas explica que cada categoria possui critérios específicos. Um físico adequado para uma categoria pode não corresponder ao padrão exigido em outra. Por isso, o atleta e seu treinador precisam conhecer as regras da competição antes mesmo de iniciar a preparação.
A experiência na arbitragem também contribui para seu trabalho como treinador. Ao compreender como os atletas são avaliados, Douglas consegue orientar de maneira mais precisa aspectos que muitas vezes recebem pouca atenção durante a preparação, como postura, transições entre poses e apresentação geral no palco.
Em maio de 2026, Douglas foi convidado pelo coordenador dos cursos de graduação e pós-graduação em Educação Física da UNICID para atuar como avaliador especialista externo na apresentação de trabalhos acadêmicos.
A função de avaliador envolve analisar a coerência dos projetos, a fundamentação científica, os métodos utilizados e a relação entre os resultados apresentados e suas possíveis aplicações no campo da Educação Física.
Para Douglas, o convite representa uma oportunidade de contribuir para a formação de novos profissionais e de aproximar o conhecimento acadêmico da realidade encontrada nas academias e nos centros de treinamento.
Ele afirma que uma das principais responsabilidades do avaliador é incentivar os estudantes a desenvolverem pensamento crítico.
“Não basta repetir conceitos. É necessário entender por que uma estratégia é utilizada, quais são suas limitações e em quais situações ela pode ser aplicada.”
A combinação entre experiência competitiva, preparação de atletas, arbitragem e participação acadêmica oferece a Douglas uma visão ampla sobre o fisiculturismo e o treinamento de força.
Para ele, o sucesso na preparação esportiva não depende de fórmulas prontas, mas da capacidade de observar, interpretar informações e tomar decisões fundamentadas.
Ao transitar entre o palco, a mesa de arbitragem, o treinamento de atletas e o ambiente universitário, Douglas construiu uma atuação que une preparação técnica, aplicação das regras e análise científica, elementos fundamentais para o desenvolvimento de atletas e para a evolução do esporte.

